Preso, Sérgio Côrtes sugeriu que detentos com conjuntivite fossem transferidos de Benfica

0

Conjuntivite nos olhos dos outros é refresco! Diante de um surto de conjuntivite na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte, o ex-secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, sugeriu à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap)que os 27 detentos contaminados com a doença fossem transferidos para suas unidades de destino. Preso, o médico tem autorização judicial para exercer seu ofício no cárcere e foi ele quem atendeu os internos contaminados. Em seguida, o ex-secretário informou à pasta sobre a situação num documento assinado por ele e datado no último dia 4.

Ao tomar conhecimento da situação, o Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública estadual (Nuspen) entrou com uma medida cautelar na Justiça para que a transferência não ocorresse. O órgão queria evitar que a doença se alastrasse pelo sistema prisional e pediu que os internos fossem isolados de imediato.

A Seap, no entanto, transferiu os presos contaminados antes da decisão judicial. A Cadeia Pública José Frederico Marques é uma unidade de triagem, para onde são levados 80% das pessoas presas no estado. De lá, elas são encaminhadas para outras unidades. Em seu parecer, Côrtes sugeriu que isso ocorresse logo, mas não explicou o porquê dessa medida.

Também há casos de conjuntivite nas penitenciárias Plácido de Sá Carvalho e Alfredo Tranjan, ambas no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste. No documento comunicando a Seap sobre os casos de conjuntivite, Côrtes informou ainda que foi tomada medida de distribuição de água com sabão líquido para que os internos lavassem as mãos, no intuito de tentar impedir que a doença se alastrasse. O ex-secretário acrescenta ainda que não havia colírios no sistema.

O documento elaborado por Côrtes
O documento elaborado por Côrtes

Dos 27 casos de conjuntivite na Cadeia Pública José Frederico Marques, três são na galeria C, onde está preso o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral. O EXTRA perguntou à Seap quem são os três internos contaminados, mas a pasta não respondeu ao questionamento.

Interesse por saúde na cadeia é novidade

O EXTRA revelou nesta sexta-feira que Côrtes já fez 8 mil atendimentos no sistema prisional desde junho do ano passado e parece estar investindo seu tempo para melhorar a assistência médica atrás das grades. A advogada e membro do Conselho estadual de Saúde, Kátia Lopes, diz que essa preocupação do ex-secretário é novidade, algo “pós-cárcere”.

— Em 2013, quando Côrtes ainda era secretário de Saúde, estive com ele e pedi atenção ao sistema prisional. Claro que meu pedido nunca foi atendido. Estive em Benfica e vi que ele realmente está trabalhando. Agora, está organizando o que não organizou em anos. Muita ironia do destino, né? — afirma a advogada.

O Extra

Deixe sua Resposta!

(Os comentários não representam a opinião do site. A responsabilidade é do autor do comentário).

error: Conteúdo protegido e rastreado!