Cachoeiras de Macacu – Cumplicidade entre Executivo e Legislativo afunda o município

0

Os professores da rede municipal de Cachoeiras de Macacu (RJ) suspenderam, no último dia 29 de março, a greve iniciada no dia 19 do mesmo mês. Entretanto, o estado de greve foi mantido e eles se reunirão em nova assembleia no próximo dia 16 de abril, com possibilidade de paralisação integral. Apesar da volta às aulas, isso não significa que os problemas foram sanados.

O município da Serra Verde Imperial enfrenta uma crise, com constantes atrasos salariais e em outras áreas. Ainda em 2018, já se escutavam supostos rumores de que o prefeito Mauro Soares mal aparecia na prefeitura para trabalhar, por medo dos protestos de servidores que estavam sem receber. No caso dos professores, eles reivindicavam o pagamento integral dos salários, sem parcelamento, a divulgação do cronograma de pagamentos via Diário Oficial, que os mesmos fossem depositados até o dia 10 de cada mês, direito à merenda escolar, acesso ao transporte escolar, um terço de férias e correção salarial referente aos anos de 2017, 2018 e 2019, segundo o Sepe, o sindicato da classe.

No mês passado, a categoria realizou uma manifestação pelas ruas da cidade, para denunciar os descasos sofridos. Em julho, já havia acontecido outro ato devido aos atrasos no pagamento. Em outubro passado, enfermeiros da rede municipal de saúde paralisaram as atividades, em protesto aos atrasos de pagamento. De acordo com o G1, eles estavam sem salários desde julho.

Também em outubro, a Câmara dos Vereadores instaurou uma Comissão Processante, uma CPI, para apurar supostas irregularidades na administração municipal, como a contratação de funcionários temporários, com possíveis prejuízos aos cofres públicos, a não divulgação de atos oficiais e o não repasse financeiro ao Instituto de Aposentadorias e Pensões de Cachoeiras de Macacu (IAPCM), a previdência dos servidores, alguns morados deram o apelido de ” CPI CAVIAR “.

A situação não é muito diferente do que ocorreu em Guapimirim, na cidade vizinha,  o rombo com esse tipo contratação de funcionários não concursados chegou a R$ 80 milhões, segundo o Ministério Público. A gestão anterior contratou o Centro espirita Tesloo para terceirizar a mão de obra. A investigação está a cargo do Ministério Publico.

Relatório do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) referente à prestação de contas do exercício de 2017 mostrou que a gestão municipal não tinha repassado a totalidade dos recolhimentos salariais ao INSS. Ainda em outubro, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) obteve liminar favorável que determinava a regularização dos salários, desde julho atrasados, no prazo de até 30 dias.

Também foi decretado o arresto nas contas da prefeitura para que os servidores das demais áreas pudessem receber. Na ocasião, somente os funcionários da educação e do Hospital Municipal haviam recebido.

Em agosto do ano passado, a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu acordou em audiência de conciliação com a DPRJ de regularizar os salários dos servidores inativos, pagando em quatro parcelas iguais e sucessivas até o dia 24 de cada mês.

Outro problema comum, não só em Cachoeiras de Macacu como também em outras cidades da região, é que parte do secretariado reside fora do município, o que faz com o dinheiro saia, já que a prefeitura deixa de empregar moradores. Cada secretário costuma levar de dois a três assessores de confiança, o que prejudica mais ainda a economia local. A falta de uma atuação firme dos vereadores na fiscalização dos atos do executivo, acaba por gerar cumplicidade  entre ambos. Não tem pior oposição ao povo do que essa combinação.

Deixe sua Resposta!

(Os comentários não representam a opinião do site. A responsabilidade é do autor do comentário).

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

error: Conteúdo protegido e rastreado!