Prédios desabam na Muzema e deixam mortos e feridos

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Pelo menos duas pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas em um desabamento de dois prédios, no início da manhã desta sexta-feira, na Muzema, na Zona Oeste do Rio. Há pelo menos 10 desaparecidos. Ainda não há a identificação dos mortos.

Dos feridos três são da mesma família: Adilma, Cláudio e Clara Rodrigues foram socorridos e levados a hospitais da região. Adilma e Cláudio são marido e mulher; ele foi levado para um hospital particular e ela para o Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, assim como Clara que tem 10 anos. Ainda não há a identificação do quarto ferido.

Os prédios que caíram ficam no Condomínio Figueiras do Itanhangá; um teria cinco e outro três andares. A comunidade liga o Rio das Pedras ao Itanhangá, pela Estrada de Jacarepaguá.

O Corpo dos Bombeiros informou que foi acionado às 6h48 e que militares de dois quartéis (Jacarepaguá e Barra da Tijuca) e do Grupamento de Busca e Salvamento, especializado em técnicas de resgate em estruturas colapsadas, estão trabalhando na região.

O prefeito Marcelo Crivella (PRB) chegou ao local por volta das 8h. Equipes da Guarda Municipal, Polícia Militar, Defesa Civil, Light e Cedae também foram acionadas. Ele ainda não falou com a imprensa, mas se manifestou através de um vídeo postado nas redes sociais; confira!

IRREGULAR

A prefeitura informou que as construções da região onde houve o desabamento são irregulares, não autorizadas pelos órgãos fiscalizadores e que tiveram as obras interditadas em novembro de 2018.

“A região é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e os prédios ali construídos não respeitam a legislação em vigor. Por se tratar de área dominada por milícia, os técnicos da fiscalização municipal necessitam de apoio da Polícia Militar para realizar operações no local. Foi o que aconteceu em novembro de 2018, quando várias construções irregulares foram interditadas e embargadas pela prefeitura”, disse, através de nota.

MILÍCIAS

A região é dominada pela milícia. Em setembro do ano passado, policiais militares do Comando de Polícia Ambiental (CPAM) fizeram uma operação no local e prenderam 39 pessoas por envolvimento com grupos paralimitares. A operação foi realizada nas localidades da Muzema, Morro do Banco, Tijuquinha, Vila da Paz, Ilha da Gigóia e Ilha Primeira, todas no Itanhangá, que faz parte da região administrativa da Barra da Tijuca.

Na época, os agentes descobriram a construção de dezenas de prédios de quatro à seis andares em média, onde anúncios ofereciam apartamentos de diversos valores e condições de pagamento, inclusive com projeção de taxas de condomínio. As construções clandestinas verticalizadas não possuíam infraestrutura básica, como ligação regular de esgoto, que seriam lançados em rios e na Lagoa da Barra, e poluiria essas águas.

Uma mulher acompanha aos prantos os trabalhos dos bombeiros – Reprodução / Itanhangá Rio das Pedras

TEMPORAL

A região da Muzema foi uma das mais atingidas pelo temporal que caiu na cidade no início da semana. Até hoje, os moradores enfrentam efeitos dos estragos das chuvas com grandes alagamentos.

Apesar de não chover mais, o Rio segue em estágio de crise, pelo quarto dia consecutivo. O nível mais elevado de tensão na cidade representa possibilidade de “deslizamentos e transtornos generalizados em uma ou mais regiões”.

Por causa das consequências do temporal, o prefeito decretou, nesta quinta, Estado de Calamidade no Rio.

Área do Condomínio Figueiras do Itanhangá – Reprodução / Google

O Dia 

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