Ao atacar jornalista, Bolsonaro se afasta de compromisso com a democracia

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O papel de um jornalista é perguntar. O papel de um detentor de mandato, que deve prestar contas do que faz ao público, é responder  –  de preferência, com civilidade e compostura. O presidente Jair Bolsonaro ignorou mais uma vez essas regras básicas ao atacar uma profissional e um veículo de imprensa durante uma entrevista em Dallas (EUA), nesta quinta-feira (16.mai.2019). Ao exibir o vídeo do episódio para seus milhões de seguidores nas redes sociais, o presidente amplificou o ataque e deu a ele caráter público, expondo a repórter a ofensas e ameaças de militantes virtuais governistas.

Durante entrevista coletiva, a jornalista Marina Dias perguntou a Bolsonaro se o corte de recursos para a Educação resolveria o problema, mencionado pelo presidente momentos antes, de não haver universidades brasileiras entre as 250 melhores do mundo. Bolsonaro chegou a iniciar uma resposta diferenciando corte de contingenciamento, mas irritou-se quando a repórter reafirmou que se tratava de um corte:

“Você é da Folha? (…) Primeiro, vocês da Folha de S.Paulo têm que entrar de novo em uma faculdade que presta e fazer um bom jornalismo. É isso que a Folha tem que fazer, e não contratar qualquer uma ou qualquer um para ser jornalista, para ficar semeando a discórdia e perguntando besteira por aí e publicando coisas nojentas”, disse o presidente.

Bolsonaro publicou o vídeo do ocorrido em sua conta no Twitter e em sua página no Facebook com uma legenda depreciativa: “(…) Aqui nos Estados Unidos uma repórter da Folha desconhecia a diferença entre corte e contingenciamento. Nós explicamos.”

É, no mínimo, a segunda vez neste ano que o presidente da República compromete o trabalho de uma jornalista ao atacá-la em público. Em março, ele publicou em suas redes sociais uma peça de desinformação contra uma repórter do jornal O Estado de S.Paulo.

Ao estimular um ambiente de confronto e intimidação contra jornalistas e veículos de mídia, Bolsonaro se afasta do compromisso democrático que assumiu ao tomar posse, e fica mais próximo dos governantes autoritários, de diversos matizes ideológicos, que buscam demonizar a imprensa por ver nela um obstáculo a seus projetos de poder.

Sempre que há restrições à liberdade de imprensa e de expressão, quem perde é a sociedade. A Abraji pede respeito ao Jornalismo.

Diretoria da Abraji, 16 de maio de 2019.

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