Comércio fecha em Magé um dia após morte de estoquista durante operação da PM

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Estabelecimentos comerciais do Centro de Magé, na Baixada Fluminense, fecharam as portas na tarde desta terça-feira, dia seguinte à morte de Henrico de Jesus Viegas de Menezes Júnior, de 19 anos, durante operação do 34º BPM (Magé). Segundo parentes do jovem, ele era inocente: quando foi atingido, Henrico estava na favela Terra Nova, no Bairro Lagoa, onde havia ido buscar uma motocicleta que estava no mecânico.

Desde o ano passado, ainda de acordo com a família do jovem, Henrico trabalhava como estoquista num supermercado do município. Ele conseguiu o emprego após terminar a escola. Em seu perfil numa rede social, é possível ver várias fotos do jovem com o uniforme do supermercado. Numa das imagens, postada em setembro, ele comemora a conquista do emprego: “Vivo em um mundo no qual poucos comemoram com você sua vitória. Obrigada senhor”.

Em outras fotografias, postadas até o primeiro semestre do ano passado, o jovem aparece dentro de uma escola. “Se eu como na escola? Até repito”, escreveu Henrico na legenda de uma imagem em que aparece posando com um merendeiro.

O caso, entretanto, foi registrado na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) como homicídio decorrente de intervenção policial — ou seja, os PMs alegam que Henrico atirou contra os agentes. Segundo nota enviada pela corporação, durante tiroteio entre policiais e criminosos na favela Terra Nova, na tarde desta segunda, “um suspeito foi atingido e socorrido ao Hospital Municipal de Magé, onde não resistiu aos ferimentos”. Henrico foi atingido na cabeça.

Ainda de acordo com a PM, com Henrico, “foram apreendidos um revólver calibre 38, um rádio comunicador e uma mochila com 249 pinos de cocaína, 103 trouxinhas de maconha e um caderno com anotações do tráfico e drogas”.

Parentes e amigos afirmam que o jovem não estava armado.

— Ele nunca teve nenhuma ligação com o tráfico. A cidade inteira está em choque. Ele sempre estudou e agora estava trabalhando — conta uma amiga.

Após o homicídio, moradores de Magé atearam atearam fogo em pneus e jogaram pedras na sede da prefeitura do município. Ônibus e caminhões de lixo pararam de circular até que o protesto fosse dispersado, já no fim da noite.

O Extra

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